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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Espetáculo "Os choros de Villa-Lobos" - 21 a 24 de maio no Palácio das Artes

Corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado homenageiam Villa-Lobos em espetáculo no Palácio das Artes - Belo Horizonte/MG

A Cia de Dança Palácio das Artes, Orquestra Sinfônica e Coral Lírico de Minas Gerais são os três corpos artísticos mantidos pela Fundação Clóvis Salgado que juntos vão prestar homenagem ao cinquentenário de morte do célebre compositor brasileiro, Heitor Villa-Lobos. A apresentação especial será nos dias 21, 22, 23 e 24 de maio, no Grande Teatro do Palácio das Artes. Às 20h30 na quinta, sexta e sábado e às 19h no domingo. Direção geral e cenografia Ione Medeiros, coreografia Jomar Mesquita e regência de Charles Roussin.

Para fazer uma homenagem digna e sincera a um brasileiro nascido no Rio de Janeiro e que sozinho, aprendeu violão na adolescência, em meio às rodas de choro cariocas, os três corpos artísticos apresentarão o espetáculo Villa-Lobos: Choros. A dança será acompanhada por vozes e instrumentos de uma das séries mais importantes de Villa-Lobos, os Choros, escritos na década de 1920 a 1930. O compositor fez 16 choros para as mais variadas formações: piano ou guitarra solista, conjunto de câmara, voz e orquestra, coros, grande orquestra.

Villa-Lobos foi considerado um compositor único por unir músicas com sons naturais. O artista utilizava sons da mata, de eventos indígenas, africanos, cantigas, choros, sambas e outros gêneros muito utilizados no Brasil. A preocupação era sempre fundir suas obras com aspectos da música realizada no país.

A diretora do espetáculo Ione Medeiros fala da obra que escolheram para homenagear o cinquentenário do compositor Heitor Villa-Lobos. “Os Choros de Villa-Lobos nos remetem ao modernismo dos anos 20, movimento que se propunha a repensar a nossa cultura, resgatar nossas tradições, costumes e etnias, tendo em vista a construção de uma identidade brasileira. Dentro desta proposta, presente na literatura, nas artes plásticas, na música, nos manifestos de artistas e intelectuais, elaborava-se a seguinte questão: que cara tem o Brasil? Retomando esta perspectiva, queremos esboçar cenicamente um caleidoscópio telúrico feito de sons, cores e imagens, reavivando ícones e traços de nossa memória afetiva e comemoramos a exuberância criativa de nosso povo”. O espetáculo é dedicado ao grande músico Sebastião Viana.


Obras Pierrô, Índia Carajá e Cavalo Marinho, de Cândido Portinari: algumas das obras modernistas que inspiraram o espetáculo

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Viva Eu, Viva Tu, Viva o Rabo do Tatu!


VILLA-LOBOS
Por Fabio Gomes

Heitor Villa-Lobos, o maior compositor brasileiro, é autor de mais de mil músicas. São peças de vários gêneros, como concertos, sinfonias, suítes, quartetos de cordas, sonatas, bailados, arranjos para coro, peças para pequenos conjuntos e para grande orquestra.


Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro em 1887. Seu pai, Raul Villa-Lobos, violoncelista amador, reunia em casa um grupo de amigos que tocava música de câmara. Com a tia Zizinha, o jovem Heitor aprendeu a amar a obra de Johann Sebastian Bach. Ainda pequeno, incentivado pelo pai, Heitor iniciou-se no aprendizado de clarinete e violoncelo. Muitos anos depois, Villa-Lobos lembrava o papel paterno em sua formação musical:


- Meu pai, além de ser homem de aprimorada cultura geral e excepcionalmente inteligente, era um músico prático, técnico e perfeito. Com ele, sempre assistia a ensaios, concertos e óperas.


A mãe de Villa-Lobos, dona Noêmia, é que não gostava muito desse interesse pela música, pois queria que o filho fosse médico. Um pouco maior, ele passou a freqüentar as rodas de boemia onde se fazia o melhor choro da época.


Villa-Lobos aprendeu na escola da vida. Chegou a freqüentar o Instituto Nacional de Música, aos 20 anos. Mas não suportou a rigidez da disciplina e da falta de espírito criativo da escola. O INM não era o lugar de sua música, e sim da música-papel, como ele dizia:


- Há três espécies de compositores: os que escrevem música-papel, segundo regras ou modas; os que escrevem para ser originais e realizar algo que outros não fizeram e, finalmente, os que escrevem música porque não podem viver sem ela. Só a terceira categoria tem valor.


Com toda a certeza, Villa-Lobos pertence à terceira categoria. Sua grandeza está no fato de ter conseguido uma mistura perfeita do folclore brasileiro com a música de concerto européia, com a marca da sua forte personalidade. Ele não se limitou a recolher temas do povo e os harmonizar, como tantos já haviam feito. Nem se contentou em reproduzir modelos de além-mar, caso de outro grande compositor brasileiro, Carlos Gomes. Alguns autores como Alexandre Levy e Brasílio Itiberê já haviam utilizado temas populares em obras sinfônicas antes de Villa-Lobos. Mas estes temas quase sempre eram citações, nunca se alterando a fórmula que já vinha pronta da Europa. Villa partiu da riqueza musical do nosso povo para chegar a formas novas de composição na área da música de concerto, como os Choros, as Bachianas Brasileiras, as Serestas e as Cirandas.


Villa-Lobos viajou por praticamente todo o Brasil de 1905 a 1912. As condições para fazer tal aventura na época eram as mais precárias possíveis. Durante sua estada na Amazônia, por volta de 1910, sua mãe mandou rezar uma missa pela alma do filho que ela já julgava morto. Imaginem a surpresa de dona Noêmia, tempos depois, ao ver o filho ressuscitando no Rio de Janeiro...
Foto: Folha On-line