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terça-feira, 28 de abril de 2009

Pensadores

"O tema da cultura brasileira, que tem se revelado polêmico nos vários planos em que se realiza seu questionamento, apresenta pelo menos um ponto indiscutível: a necessidade de se pensar a respeito das raízes, das origens de nossa cultura. Origem, aqui, entendida não apenas no seu sentido histórico, mas também no sentido de fonte, seiva, emanação vital."

Sônia Maria Viegas Andrade - UFMG

"A cultura popular tradicional abrange todas as áreas do conhecimento humano, ou quase todas. Por isso, situar os limites do folclórico seria o mesmo que discorrer sobre o legado imenso que representa a obra do ser humano criada no curso das gerações, durante centenas de milhares de anos. Então, pode-se dizer que os limites do folclórico são os próprios limites da cultura."

Saul Martins - Doutor em Ciências Sociais pela UFMG

“Essas coisas, quando nascem na consciência da gente, isto é, quando a gente verifica a importância social que elas estão tomando, já faz muito que nasceram de misturas, influências e invenções ocasionais do povo. E o povo não costuma datar os atos corriqueiros da sua vida...”

MÁRIO DE ANDRADE, em Ilustração musical, ano I, nº 2

"Eu gostaria de saber qual o traço mais marcante da cultura popular brasileira. Gostaria de saber, pelo seguinte, porque uma cultura popular é milenária e contemporânea. É de todas as épocas e do momento. A nossa vem das fontes mais antigas e variadas. Das indígenas, de onde vieram os nossos indígenas, qual as fontes étnicas culturais deles; quantas raças a África exportou nos navios negreiros para o Brasil. Cada um grupo étnico, era uma cultura, uma memória, uma projeção na nascente cultura brasileira, que era a miscigenação. Portugal é um tabuleiro de raças. Ali estavam todos os romanos, os celtas, os árabes e tudo isso veio para o Brasil, e naturalmente, logicamente, desse atrito a forma foi a mais inesperada, e a força de concentração mantém os elementos perenes, mas o tempo vai diferenciando, aculturando todas essas coisas."

Luís da Câmara Cascudo







FOTOS: PIERRE VERGER